A ortorexia nervosa pode ser definida como a obsessão por comer de maneira saudável. Essa condição não é oficialmente classificada como um transtorno alimentar. Isso porque, ao contrário do que acontece com a anorexia e a bulimia, por exemplo, ela não tem critérios de diagnóstico estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria. Assim, pode-se dizer que a ortorexia é uma desordem alimentar.

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Como reconhecer essa desordem alimentar

Quem sofre com ortorexia nervosa, em geral, não tem a perda de peso como prioridade, como acontece em problemas clássicos de transtorno alimentar. Nesse caso, a preocupação exagerada é com a qualidade dos alimentos. Esse é foco de tudo.
Assim, a pessoa acaba restringindo ao máximo o consumo dos alimentos que não sejam orgânicos, que contenham substâncias como corantes, conservantes, pesticidas, ingredientes transgênicos, gorduras menos saudáveis e excesso de sal e açúcar. O modo de preparo e a origem da matéria-prima também são fatores que interferem na escolha do que comer.
De acordo com a associação americana National Eating Disorders, que estuda o assunto, esse tipo de desordem alimentar se caracteriza por:
• Comer as mesmas coisas todos os dias;
• Checar compulsivamente a lista de ingredientes dos produtos;
• Pensar em comida o tempo inteiro, planejando o que vai poder ou não comer;
• Cortar da dieta, por conta própria, grupos inteiros de alimentos (carboidratos, açúcar, itens de origem animal).
Os estudiosos ainda alertam para o fato de que vigiar o que os outros comem, desprezando quem não segue seus padrões do que é ser saudável, também faz parte da rotina de quem sofre com ortorexia. Aí, as redes sociais podem entrar em cena para piorar o problema.
Um estudo publicado em 2017 na revista científica Eating and Weight Disorders revelou que quanto mais intenso é o uso do Instagram, maior a prevalência de sintomas associados à ortorexia. O índice chegou a 49% dos 700 usuários estudados. A estimativa entre a população geral é de menos de 1%. Então, fica o alerta.

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Preocupar-se em comer bem é um risco?

Não necessariamente. Simplesmente ter o cuidado de seguir uma alimentação saudável, baseada em produtos in natura, ou preferir alimentos livres de agrotóxicos não configura algum grau de ortorexia.
De acordo com especialistas da National Eating Disorders, esse tipo de desordem alimentar necessariamente gera sofrimento, prejuízo para os relacionamentos e mudanças no cotidiano que são pensadas exclusivamente para atender à fixação pelo que é saudável. É o caso, por exemplo, de quem leva a própria comida a eventos sociais ou evita sair da rotina por medo do que pode encontrar no caminho como opção para se alimentar.
Em um artigo do British Medical Journal, foi relatado que pessoas ansiosas e com predisposição a comportamentos compulsivos estão entre as mais vulneráveis a desenvolver ortorexia. Quem está sempre em contato com parâmetros de uma vida saudável, como nutricionistas e educadores físicos, por exemplo, também corre mais risco.
O tratamento para essa desordem alimentar inclui terapia e pode ou não ter a prescrição de remédios controlados. Isso varia de um caso para outro. Mas a ideia sempre é mudar a relação que a pessoa tem com a comida, tentando dar fim ao excesso de regras e restrições.
Lembrando que a principal recomendação do Ministério da Saúde para uma alimentação saudável é descascar mais e desembalar menos. Vale se pautar nisso não só para evitar doenças ou alcançar um peso corporal adequado, mas para cuidar da saúde mental também.

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