Você já deve ter ouvido falar que, no nosso organismo, existe aproximadamente o mesmo número de microrganismos que de células. Isso é verdade: há trilhões de bactérias, fungos e vírus habitando o seu intestino nesse momento. É a eles que se dá o nome microbiota. Nem todos esse microrganismos, claro, são ruins (do contrário, todos nós viveríamos com a saúde intestinal comprometida). Mas eles estão lá: sempre a postos para influenciar processos em todo o corpo.

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O intestino é nosso segundo cérebro

Diferente de qualquer outro órgão, o intestino pode funcionar sozinho, ou seja, não precisa do cérebro para tomar decisões. O “governante", nesse caso, é o chamado Sistema Nervoso Entérico, que se estende pelo tecido que reveste todo o sistema digestivo e possui seus próprios circuitos neurais. É por isso que o intestino recebeu esse apelido de "segundo cérebro".
Diante disso, é possível entender que a saúde intestinal vai muito além de simplesmente processar a comida que você consome ao longo do dia. Só para ter ideia, apenas 10% a 20% da microbiota é igual entre indivíduos. Essa imensa diferença de uma pessoa para a outra se deve a fatores como dieta e estilo de vida, por exemplo. Mas um aspecto é igual para todo mundo: a saúde intestinal tem relação com condições que vão desde o sistema imunológico até o apetite e o humor.

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Saúde intestinal influencia a imunidade

A microbiota intestinal tem um papel importante no funcionamento do trato gastrointestinal. Tanto que a menor alteração dentro dessa “comunidade" é capaz de provocar estragos como a Síndrome do Intestino Irritável — quando o intestino deixa de seguir um comportamento equilibrado e reage de forma imprevisível ao menor alteração de dieta ou humor.
A saúde intestinal começa a se desenvolver assim que nascemos, quando a microbiota dá os primeiros passos rumo à colonização do intestino. Algumas pesquisas comprovam que bebês nascidos de parto normal têm mais bactérias no intestino do que os nascidos por cesariana. Tudo por conta do contato deles com as bactérias intestinais e vaginais da mãe.
Isso quer dizer que o parto normal é mais interessante para reforçar a saúde intestinal? Não há evidências disso, mas dá para acreditar que sim, já que 70% das células responsáveis pela nossa imunidade vivem no intestino.
De acordo com os cientistas, só esse fato já permite dizer que, quanto melhor você cuidar da sua saúde intestinal, mais protegido estará contra doenças comuns, como uma gripe, por exemplo.

Dieta diversificada reforça a saúde intestinal

Como já comentamos, existem trilhões de microrganismos vivendo no nosso intestino. Com se isso não fosse impressionante o bastante, eles gostam de diferentes alimentos, e quanto mais bem alimentados eles estiverem, melhor vão trabalhar para exercer uma importante atividade: permitir que o corpo absorva adequadamente os nutrientes desses alimentos.
Mas o que comer para beneficiar a saúde intestinal? De acordo com especialistas, uma dieta pobre em fibras e rica em gordura animal e proteínas pode fazer com quem a microbiota produza compostos causadores de câncer e inflamação. Já uma dieta rica em fibras, baseada em plantas (vegetais e frutas) e com pouca carne vermelha, foi ligada ao aumento dos níveis de ácidos graxos de cadeia curta, que têm efeitos anti-inflamatórios e melhoram o sistema imunológico.
E os probióticos? Probióticos são alimentos ou veículos farmacêuticos que contêm cepas dos microrganismos mais comuns que vivem no intestino. Eles têm sido usados no tratamento de problemas como Doença de Crohn e colite ulcerativa, mas um estudo feito no Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, descobriu que algumas pessoas são imunes aos probióticos. Isso significa que inclui-los na rotina pode ou não ser uma forma de cuidar da saúde intestinal. É muito relativo. Então, por enquanto, vale mais cuidar da alimentação mesmo.

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Saúde mental também tem a ver com saúde intestinal

A microbiota tem influência sobre seus níveis de estresse e seu estado de ânimo, e vice-versa. Uma pesquisa americana comprovou que o hábito de meditar de 15 a 20 minutos por dia é capaz de melhorar sintomas da Síndrome de Intestino Irritável, alterando o metabolismo dos nossos microrganismos intestinais.
Outra coisa interessante que liga a saúde mental à saúde intestinal: estima-se que uma proporção de 80% a 90% de serotonina (o famoso “hormônio do bem-estar”) é encontrada no trato gastrointestinal, sendo secretada pelo nosso “segundo cérebro”com a ajuda da microbiota. Sua concentração pode ser reduzida em um estado crônico de estresse, que atrapalha o trabalho dos microrganismos. Resultado? Alterações de humor, menor sensação de felicidade e maior predisposição a transtornos mentais como ansiedade e depressão.

 

Melhore sua saúde intestinal em 5 passos

1. Siga uma dieta diversificada para “agradar” aos mais variados microrganismos que habitam o seu intestino;
2. Reduza o nível de estresse, investindo em práticas como meditação, relaxamento, mindfulness (atenção plena) ou ioga;
3. Evite o consumo excessivo de álcool, cafeína e comidas apimentadas, que tendem a agravar problemas intestinais pré-existentes;
4. Tente dormir melhor: um estudo mostrou que alterações nos padrões de sono também prejudicam a saúde intestinal;
5. Mantenha o corpo hidratado. A água é essencial para o bom funcionamento do intestino, especialmente quando você aumenta o consumo de fibras (como foi sugerido anteriormente).

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