Você sabia que o Brasil tem o maior sistema público de transplantes do mundo? Um levantamento oficial feito no ano passado revelou que o número de doação de órgãos disparou e, de acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o cenário atual é o melhor em 20 anos – e a conscientização sobre a importância do ato tem muito a ver com isso.
Ainda assim, há muito o que fazer. Até o fim do ano passado, mais de 32,4 mil pacientes adultos estavam na fila de espera por um órgão, além de outras mil crianças. Só no Estado de São Paulo, hoje, são 13 mil vidas esperando para serem salvas. E duas curiosidades: um único doador pode beneficiar pelo menos 10 pessoas e a grande maioria aguarda rins ou córnea.

Doação de órgãos sem dúvidas

Para ajudar a melhorar ainda mais esse cenário e, assim, dar qualidade de vida para muita gente, vamos esclarecer algumas dúvidas que cercam a doação de órgãos. Para isso, contamos com informações do Ministério da Saúde e da ABTO.

1. Afinal, quais órgãos podem ser doados?
Os órgãos e tecidos que podem ser doados são: coração, pulmão, fígado, rins, pâncreas, intestinos, pele (camada superficial), ossos, válvulas cardíacas, córneas e tendões.

2. Apenas pessoas jovens podem ser doadoras?
Todas podem ser consideradas doadoras em potencial, independentemente da idade ou histórico médico. O que determinará a possibilidade de transplante e quais os órgãos e tecidos que poderão ser doados é uma avaliação do corpo feita por meio de exames clínicos, de imagem e laboratoriais no momento da morte.

3. Existe muita burocracia para se tornar um doador?
De forma alguma! Só para ter ideia de como é simples, você não precisa deixar nada por escrito em nenhum documento. Para ser doador, basta avisar os familiares de primeiro ou segundo grau (pai, filho, irmãos, avós, cônjuges). Eles é que assinarão o documento autorizando a doação dos seus órgãos e tecidos. E não há custo financeiro algum para isso.

4. A doação de órgãos deixa o corpo deformado?
Como os órgãos e tecidos doados são removidos cirurgicamente, em uma operação de rotina (similar a uma cirurgia de vesícula biliar ou remoção de apêndice, por exemplo), o corpo não sofre alterações na aparência. Tanto que pode ser velado ou cremado normalmente, sem a necessidade de preparos especiais.

5. É possível que um paciente em morte encefálica volte a viver?
Infelizmente, a morte encefálica é irreversível. Na ocasião, dois médicos diferentes, seguindo os critérios do Conselho Federal de Medicina, são designados para comprovar a ausência de reflexos do tronco encefálico. Isso é feito por meio de dois exames clínicos e um teste gráfico. Somente com esse atestado é permitido fazer a doação de órgãos.

6. Em uma emergência, a prioridade será a doação de órgãos?
De forma alguma! Há quem diga que, se os médicos do setor de emergência souberem que você é um doador, não vão se esforçar para salvá-lo. Pura fake news! Se você está doente ou ferido e foi admitido no hospital, a prioridade número um é salvar a sua vida. A doação de órgãos só será considerada após o atestado de morte e o consentimento da sua família.

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7. Quais sãos os critérios para a pessoa receber os órgãos doados?
Todos os cidadãos brasileiros, independentemente da classe social ou condições financeiras, são selecionados por compatibilidade com o doador. O procedimento é feito por um programa de computador seguro que impede fraudes. Fatores como gravidade da doença, tempo de espera, tipo de sangue e outras informações médicas importantes também são levadas em consideração. Reforçando: a questão financeira nunca é fator decisivo.

8. Quem recebe um órgão passa a se comportar como o doador?
Esse é um mito que está mais para enredo de novela. O órgão doado não traz consigo nenhuma característica estética ou emocional do doador. A pessoa que recebe um órgão terá apenas a melhora na qualidade de vida.

9. O que é um doador em vida?
O doador em vida é aquele que doa órgãos e tecidos que não comprometam suas aptidões vitais. Para isso, é preciso ter mais de 18 anos e boas condições de saúde. Rim, medula óssea e parte do fígado ou pulmão podem ser doados entre cônjuges ou parentes de até quarto grau, com compatibilidade sanguínea. No caso de não familiares, a doação só acontece mediante autorização judicial.

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10. Como fica a doação diante da minha religião?
Todas as religiões deixam a critério dos seus seguidores a decisão de serem ou não doadores. No entanto, todas elas têm em comum os princípios da solidariedade e do amor ao próximo, que caracterizam o ato de doar. Então, a decisão é sempre sua, com o respaldo da sua família.

Incentive a doação de órgãos!

De acordo com o Ministério da Saúde, um dos principais fatores que limitam a doação de órgãos é a baixa taxa de autorização da família. Doar órgãos é um ato de amor e solidariedade. O transplante pode salvar vidas, no caso de órgãos vitais como o coração, ou devolver a qualidade de vida, quando o órgão transplantado não é vital, como os rins. Além disso, estrutura a saúde física e psicológica de toda a família envolvida com o paciente transplantado é preservada. Pense nisso!

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